Espaço de ajuda aos alunos nas várias disciplinas desde a Educação de Infância até ao Ensino Secundário
sexta-feira, 7 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
terça-feira, 4 de junho de 2019
segunda-feira, 3 de junho de 2019
quinta-feira, 30 de maio de 2019
terça-feira, 28 de maio de 2019
segunda-feira, 27 de maio de 2019
sexta-feira, 24 de maio de 2019
quinta-feira, 23 de maio de 2019
segunda-feira, 20 de maio de 2019
domingo, 19 de maio de 2019
sábado, 18 de maio de 2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
Como jogar xadrez: Regras e Fundamentos
Nunca é tarde demais para aprender a jogar xadrez - o jogo mais popular do mundo! Aprender as regras do xadrez é fácil.
https://www.chess.com
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Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover o Rei no Xadrez
O rei é a peça mais importante, mas também é uma das mais fracas. O rei só pode andar uma casa em qualquer direção - para cima, para baixo, para os lados e na diagonal. O rei nunca se pode colocar a si próprio em xeque (posição onde possa ser capturado). Quando o rei é atacado por uma outra peça, isso é chamado "xeque".
Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez
Cada um dos 6 diferentes tipos de peças move-se de forma diferente. As peças não se podem mover através de outras peças (embora o cavalo possa saltar sobre outras peças) e nunca podem avançar para uma casa ocupada por uma das suas próprias peças. No entanto, elas podem ser movidas para tomar o lugar de uma peça do oponente que é então capturada. Peças são geralmente movidas para posições onde podem capturar outras peças (indo até às casas delas e substituindo-as), defender as suas próprias peças de serem capturadas, ou controlar casas importantes na partida.
Passo 1. Como Compor o Tabuleiro de Xadrez
No começo do jogo o tabuleiro é colocado de forma que cada jogador tem a casa branca (ou de cor clara) no canto inferior direito. As peças são dispostas da mesma forma sempre. A segunda linha horizontal (ou fileira) é preenchida com peões. As torres ficam nos cantos, seguidas dos cavalos, bispos e finalmente a dama, que sempre fica na casa de sua cor (dama branca na casa branca, dama preta na casa preta). O rei fica na casa restante.
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Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover o Bispo no Xadrez

O bispo pode mover-se tantas casas quantas quer, mas só na diagonal. Cada bispo começa numa cor (branca ou preta) e deve sempre ficar nessa cor. Os Bispos trabalham bem juntos porque um cobre as fraquezas do outro.
Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover a Torre no Xadrez

A torre pode mover-se tantas casas quanto quer, mas só para a frente, para trás e para os lados. As torres são peças particularmente poderosas quando se estão protegendo uma a outra e trabalhando juntas!
Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover a Dama no Xadrez

A dama é a peça mais poderosa. Ela pode mover-se em qualquer linha reta - para cima, para baixo, para os lados ou em diagonal - tanto quanto possível desde que não passe através de nenhuma das suas próprias peças. E, como com todas as peças, se a dama captura uma peça do adversário o seu movimento termina. Nota como a dama branca captura a dama preta, forçando o rei a mover-se.
Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover o Peão no Xadrez

Peões são invulgares porque se movem e capturam de formas diferentes. Eles andam para a frente, mas só capturam na diagonal. Peões só se podem mover uma casa de cada vez, exceto nos seus primeiros lances, em que podem andar duas casas. Os peões só podem capturar uma casa diagonalmente em frente deles. Nunca se podem mover ou capturar para trás. Se houver uma peça imediatamente em frente ao peão, ele não se pode mover ou capturar aquela peça.
Passo 2. Como se Movem as Peças de Xadrez - Como Mover o Cavalo no Xadrez

Os cavalos movem-se de forma diferente das outras peças - andando duas casas numa direção e depois movendo-se mais uma casa num ângulo de 90 graus, como no formato da letra "L". Cavalos são as únicas peças que podem saltar sobre outras peças.
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Passo 3. Descobre as Regras Especiais do Xadrez
Existem algumas regras especiais no xadrez que a princípio não parecem ser lógicas. Elas foram criadas para tornar o xadrez mais divertido e interessante.
Como Promover um Peão no Xadrez
Os peões têm outra habilidade especial que é o de, quando um peão chega ao outro lado do tabuleiro, poder ser transformado em qualquer outra peça (chamado promoção). Um peão pode ser promovido para qualquer outra peça. Um erro comum é achar que peões só podem ser promovidos a peças que já foram capturadas. Isso NÃO é verdade. Um peão geralmente é promovido a dama. Só os peões podem ser promovidos.
Passo 4 - Descobre as Regras Especiais do Xadrez
O jogador com as brancas faz sempre o primeiro lance. Portanto, os jogadores geralmente decidem à sorte quem jogará de brancas, por exemplo jogando uma moeda ao ar ou fazendo um dos jogadores adivinhar a cor da peça escondida na mão do outro jogador. As brancas então fazem o lance, seguido das pretas, depois novamente as brancas, e assim por diante até ao final da partida. Poder fazer o primeiro lance é uma pequena vantagem que dá ao jogador de brancas uma oportunidade para atacar logo no início.
Passo 3. Descobre as Regras Especiais do Xadrez - Como fazer o Roque no Xadrez
Outra regra especial do xadrez é chamada roque. Este lance permite que tu faças duas coisas importantes num único lance: levar o teu rei para um lugar seguro (esperemos), e tirar a tua torre do canto, colocando-a em jogo. Na sua vez, um jogador pode mover o seu rei duas casas para um dos lados e depois mover a torre desse canto para junto do rei, do lado oposto. (Vê o exemplo abaixo.)
No entanto, para fazer o roque, as seguintes condições devem ser satisfeitas:
-deve ser o primeiro lance desse rei
-deve ser o primeiro lance dessa torre
-não podem haver quaisquer peças entre o rei e uma torre para fazer roque
-o rei não pode estar em xeque ou passar por xeque
Observa que quando tu fazes o roque, numa das direções o rei fica mais perto do canto do tabuleiro. Esse é chamado de roque na "ala do rei". Rocar para o outro lado, onde estava a rainha, chama-se roque na "ala da dama". Independentemente do lado, o rei move-se sempre apenas duas casas ao tocar.
Passo 3. Descobre as Regras Especiais do Xadrez - Como Promover um Peão no Xadrez
Como fazer o "en passant" no Xadrez
A última regra sobre peões é chamada de "en passant", que é o termo francês para "de passagem". Se um peão se move duas casas no seu primeiro lance, e fazendo isso ele fica ao lado de um peão adversário (ultrapassando efetivamente a habilidade do peão adversário de o capturar), este outro peão tem a opção de capturar o primeiro ao passar por ele. Este movimento especial deve ser feito imediatamente após o primeiro peão ter passado, caso contrário a opção de o capturar já não está disponível. Clica no exemplo abaixo para entender melhor esta estranha, mas importante regra.
Passo 5. Revê as Regras de Como Vencer uma Partida de Xadrez
Há dois modos de terminar uma partida de xadrez: por xeque-mate ou com empate.
sábado, 4 de maio de 2019
Passo 6. Estuda Estratégias Básicas de Xadrez
Protege o teu Rei
Leva o teu rei para o canto do tabuleiro onde ele geralmente está mais protegido. Não deves adiar fazer roque. Normalmente, tu deves fazer o roque o mais rapidamente possível. Lembra-te, não importa se estás quase a dar xeque-mate ao teu adversário se o teu próprio rei leva xeque-mate primeiro!
Passo 5. Revê as Regras de Como Vencer uma Partida de Xadrez - Como Empatar uma Partida de Xadrez
Ocasionalmente as partidas de xadrez não terminam com um vencedor, mas em empate. Existem 5 razões pelas quais uma partida de xadrez pode terminar empatada:
-A posição atinge um empate por afogamento quando é a vez de um jogador fazer o lance, mas o seu rei NÃO está em xeque e ainda assim ele não pode fazer outro lance
-Os jogadores podem simplesmente concordar com um empate e parar de jogar
-Não existem peças suficientes no tabuleiro para forçar um xeque-mate (exemplo: um rei e um bispo vs um rei)
-Um jogador declara um empate se exatamente a mesma posição é repetida por três vezes (embora não necessariamente por três vezes consecutivas)
-Cinquenta lances consecutivos foram jogados onde nenhum jogador moveu um peão ou capturou uma peça
Passo 5. Revê as Regras de Como Vencer uma Partida de Xadrez - Como dar Xeque-Mate no Xadrez
O objetivo do jogo é dar xeque-mate ao rei adversário. Isso acontece quando o rei é colocado em xeque e não pode sair do xeque. Existem apenas três maneiras para um rei poder sair do xeque: sair do caminho (embora ele não possa rocar!), bloquear o xeque com outra peça, ou capturar a peça que está ameaçando o rei. Se um rei não pode escapar do xeque-mate, então a partida acaba. Normalmente o rei não é capturado ou removido do tabuleiro: a partida simplesmente termina.
Passo 7. Pratica Jogando Muitas Partidas
A coisa mais importante que tu podes fazer para melhorar no xadrez é jogar muito! Não importa se tu jogas em casa com amigos ou família, ou se jogas online, tens que jogar muito para melhorar. Hoje em dia é muito fácil arranjar uma partida de xadrez online! Clica aqui para saber onde jogar.
Passo 6. Estuda Estratégias Básicas de Xadrez
Usa Todas as tuas Peças de Xadrez
No exemplo acima, as brancas tinham todas as suas peças em jogo! As tuas peças não contribuem quando estão paradas na primeira fileira. Procura desenvolver todas as tuas peças para que tu tenhas mais material para usar quando atacares o rei. Um ataque com apenas uma ou duas peças não vai dar resultado contra um bom adversário.
Passo 6. Estuda Estratégias Básicas de Xadrez
Controla o Centro do Tabuleiro
Deves tentar controlar o centro com as tuas peças e peões. Se controlares o centro terás mais espaço para mover as tuas peças e será mais difícil para o teu adversário encontrar boas casas para as peças dele. No exemplo acima as brancas fazem bons lances para controlar o centro, enquanto as pretas fazem lances ruins.
Passo 6. Estuda Estratégias Básicas de Xadrez
Não Dês As Tuas Peças De Graça

Não percas as tuas peças por descuido! Cada peça é valiosa e tu não consegues ganhar sem ter peças para dar xeque-mate. Existe um sistema simples que a maioria dos jogadores utiliza para ter uma ideia do valor relativo de cada peça do xadrez. Quanto vale cada peça de xadrez?
Um peão vale 1
Um cavalo vale 3
Um bispo vale 3
Uma torre vale 5
A dama vale 9
O rei é infinitamente valioso
No final da partida esses pontos não significam nada - é simplesmente um sistema que tu podes usar para tomar decisões enquanto jogas, ajudando-te a saber quando capturar, trocar, ou fazer outros lances.

Passo 7. Pratica Jogando Muitas Partidas
Como Jogar com Regras de Torneios de Xadrez
Muitos torneios seguem um conjunto de regras comuns e semelhantes. Estas regras não se aplicam necessariamente para jogar em casa ou online, mas talvez queiras praticá-las mesmo assim.
Toque-lance - Se um jogador toca uma de suas peças, ele tem de a mover desde que este seja um lance legal. Se um jogador toca numa peça do seu oponente, ele deve capturá-la. Um jogador que deseja tocar numa peça apenas para a arrumar no tabuleiro deve primeiro anunciar a intenção, geralmente dizendo "ajustar".
Relógios e Cronómetro - A maioria dos torneios utiliza relógios para controlar o tempo gasto em cada partida, não em cada lance. Cada jogador recebe a mesma quantidade de tempo para a partida inteira e pode decidir como gastar esse tempo. Depois de um jogador fazer um lance ele toca num botão ou carrega numa alavanca para iniciar o relógio do oponente. Se um jogador esgota o tempo e o adversário se apercebe, então o jogador que ficou sem tempo perde o jogo (a menos que o adversário não tenha peças suficientes para dar xeque-mate, e nesse caso é um empate).
Passo 7. Pratica Jogando Muitas Partidas
Como Jogar Xadrez960
Chess960 segue todas as regras do xadrez tradicional, exceto para a posição inicial das peças na primeira fileira, que são colocadas aleatoriamente numa das 960 posições possíveis. O Roque é feito como no xadrez tradicional, com o rei e torre nas suas casas normais de roque (g1 e f1, ou c1 e d1). 960 é jogado como xadrez tradicional, mas com mais variedade na abertura.
Passo 7. Pratica Jogando Muitas Partidas
Como Jogar as Variantes de Xadrez
Enquanto a maioria das pessoas joga com as regras padrões do xadrez, algumas pessoas gostam de jogar xadrez com algumas alterações às regras. Essas são conhecidas como "variantes do xadrez". Cada variante tem suas próprias regras.
sexta-feira, 3 de maio de 2019
sábado, 27 de abril de 2019
Dicionário Voltaire - Beleza
Perguntai a um sapo que é a beleza, o supremo belo, o to kalon. Responder-vos-á ser a sapa com os dois olhos exagerados e redondos encaixados na cabeça minúscula, a boca larga e chata, o ventre amarelo, o dorso pardo. Interrogai um negro da Guiné O belo para ele é — uma pele negra e oleosa, olhos cravados, nariz esborrachado. Indagai ao diabo. Dir-vos-á que o belo é um par de cornos, quatro garras e cauda. Inquiri os filósofos. Responder-vos-ão com aranzéis. Falta-lhes algo de conforme ao arquétipo do belo em essência, o to kalon.
Assistia eu certa vez à representação de uma tragédia em companhia de um filósofo.
— Como é belo! — dizia ele.
— Que viu o sr. de belo?
— O autor atingiu seu fim.
No dia seguinte ele tomou um purgante que lhe fez efeito.
— O purgante atingiu seu fim — disse-lhe eu.
— Eis um belo purgante.
Ele compreendeu não se poder dizer que um purgante seja belo, e que para chamar belo a
alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer. Conveio em que a tragédia lhe inspirara estas duas emoções, e que nisso estava o to kalon, o belo.
Realizamos uma viagem à Inglaterra. Lá se representava a mesma peça, impecavelmente traduzida. Fez bocejarem todos os espectadores.
— Oh! — exclamou o filósofo — o to kalon não é o mesmo para os ingleses e os franceses.
Após muita reflexão concluiu ser o belo extremamente relativo, como o que é decente no Japão é indecente em Roma, o que é moda em Paris não o é em Pequim.
Dicionário Filosófico (1764)* Voltaire (1694-1778)
Edição Ridendo Castigat Mores
Versão para eBook eBooksBrasil.com
Dicionário Voltaire - Batismo
Palavra grega que quer dizer imersão.
Como sempre se guiam pelos sentidos, facilmente imaginaram os homens que quem lavasse o corpo também lavava a alma. Havia nos subterrâneos dos templos egípcios grandes cubas para os sacerdotes e iniciados. Desde tempos imemoriais que os hindus se purificaram nas águas do Ganges, e ainda hoje essa cerimônia está muito em voga. Da Índia passou à Judéia. Era costume entre os hebreus batizar todos os estrangeiros que abraçassem a lei judaica e não quisessem submeter-se à circuncisão. Sobre tudo batizavam-se as mulheres, que não faziam essa operação, salvo na Etiópia, onde a circuncisão era de lei. Tratava-se de uma regeneração. Criam os hebreus, como os egípcios, que o batismo dava alma nova. Consultem-se sobre o assunto Epifânio, Memonide e la Gemara.
João batizou-se no rio Jordão. Ali também ele batizou Jesus, que, conquanto nunca haja batizado ninguém, condescendeu todavia em consagrar essa cerimônia
Em si, todos os sinais são indiferentes. Confere Deus sua graça ao sinal que lhe aprouver escolher. Bem cedo tornou-se o batismo em primeiro rito e chancela da religião cristã.
Contudo, embora fossem circuncidados, não se sabe ao certo se receberam o batismo os quinze primeiros bispos de Jerusalém
Muito se abusou desse sacramento nos primeiros séculos do cristianismo. Nada era mais comum que aguardar a agonia para receber o batismo. É assaz ilustrativo o exemplo do imperador Constantino. Eis como raciocinava: O batismo de tudo expurga; portanto posso matar minha mulher, meus filhos, todos os meus parentes; depois batizo-me e irei para o céu — O que efetivamente levou a prática. O exemplo era perigosíssimo. Paulatinamente foi se abolindo o vezo de esperar a morte para tomar o banho sagrado.
Sempre conservaram os gregos o batismo por imersão. Pelo fim do século VIII os latinos, havendo estendido sua religião às Gálias e à Germânia, receosos de que a imersão pudesse matar as crianças nos países frios, substituíram- na por simples aspersão, o que lhes custou numerosos anátemas de parte da igreja grega.
Perguntou-se a S. Cipriano se estavam realmente batizadas as pessoas que, em vez de tomarem o banho, eram apenas borrifadas. Respondeu ele (septuagésima sexta carta) que “achavam muitas igrejas não serem cristãs tais pessoas; quanto a ele, era de parecer que sim,
bem que sua graça fosse infinitamente menor que a das imersas três vezes conforme o uso”.
Entre os cristãos, desde que um indivíduo recebia a imersão estava iniciado. Antes do batismo era simples catecúmeno. Para iniciar-se era de mister apresentar cauções, responsáveis,
— a que se dava um nome correspondente a padrinho — a fim de que a igreja se certificasse da fidelidade dos novos cristãos e não fossem divulgados os mistérios. Essa a razão por que nos primeiros séculos fossem os gentios geralmente tão mal instruídos dos mistérios cristãos quanto o eram os cristãos dos mistérios de Isis e de Eleusina.
Assim se expressava Cirilo de Alexandria em seu escrito contra o imperador Juliano: “Falaria do batismo se não temesse que minhas palavras chegassem aos não iniciados”.
Data do século II o costume de batizar crianças. Era natural desejassem os cristãos que seus filhos, que sem esse sacramento seriam condenados às penas eternas, dele fossem apercebidos. Concluiu-se enfim ser necessário ministrá-lo ao fim dos oito primeiros dias de vida por ser essa entre os judeus a idade da circuncisão. Ainda conserva o costume a igreja grega, conquanto no século III o uso a tenha levado a subministrar o batismo à morte.
Quem morria na primeira semana de existência estava condenado, asseveravam os padres da igreja mais rigorosos. No século V, porém, ideou Pedro Crisólogo o limbo, espécie de inferno suavizado, e propriamente lindes do inferno, extramuros infernais, para onde iriam as criancinhas finadas sem batismo, e onde estariam os patriarcas antes da descensão de Jesus Cristo aos infernos. De sorte que desde então prevaleceu a opinião de que Cristo desceu ao limbo e não ao inferno.
Perguntou-se se, nos desertos da Arábia, poderia um cristão ser batizado com areia: respondeu-se que não. Se se poderia batizar com água impura: estabeleceu-se ser conveniente água munda, mas que em última instância servia água barrenta. É fácil ver que toda essa disciplina foi ditada pela prudência dos primeiros pastores.
Dicionário Filosófico (1764)* Voltaire (1694-1778)
Edição Ridendo Castigat Mores
Versão para eBook eBooksBrasil.com
Dicionário Voltaire - Ateu
Antigamente, quem quer que tivesse um segredo numa arte corria o risco de passar por bruxo. Toda seita nova era acusada de degolar crianças em seus mistérios. Todo filósofo que se desgarrasse da jíria da escola era criminado de ateísmo pelos fanáticos e espertalhões. E condenado pelos cretinos.
Anaxágoras tem o atrevimento de pretender não ser o sol conduzido por Apolo montado numa quadriga: chamam-lhe ateu e o obrigam a expatriar-se.
Aristóteles é culpado de ateísmo por um sacerdote. Não podendo fazer punir o caluniador, retira-se para Calcis. Mas a morte de Sócrates é o que de mais odioso tem a história da Grécia
Quem primeiro induziu os atenienses a verem um ateu em Sócrates foi Aristófanes, que os comentadores admiram por ter sido grego, esquecendo-lhes que Sócrates também o era.
Esse poeta cômico, que não foi nem cômico nem poeta, não seria admitido entre nós a representar farsas na feira de Saint-Laurent. Parece-me muito mais vil e desprezível do que o despinta Plutarco. Eis o que diz o sábio Plutarco de tal farsista: “A linguagem de Aristófanes
denuncia o miserável charlatão que é. São as graçolas mais canalhas e repugnantes. Não chega a agradar o povo e as pessoas de discernimento e pundonor não o toleram. Não há quem suporte sua arrogância, e sua malignidade é intolerável às pessoas de bem”(8).
Aí está — para dizê-lo de passo — o Tabarin que a sra. Dacier tem o ousio de admirar. Eis o homem que de longe confeccionou o veneno com que juizes infames assassinaram o homem mais virtuoso da Grécia.
Curtidores, sapateiros e costureirinhas de Atenas aplaudiram uma comédia em que se representava Sócrates suspenso num cesto proclamando que não existiam deuses e jactando- se de haver roubado uma capa enquanto ensinava filosofia. Um povo cujo mau governo permitia tão infames licenças bem merecia o fim que teve — ser vassalo dos romanos e hoje dos turcos.
Demos um salto à antigüidade. Detenhamo- nos na república romana. Os romanos, muito mais sábios que os gregos, nunca perseguiram filósofos por motivo de opiniões. A mesma isenção não exalça os povos bárbaros que medraram por sobre os destroços do império romano. Desde que o imperador Frederico II questiona com o papa,
que o acusam de ateísmo e de ter escrito com seu chanceler de Vinéia o livro Dos Três Impostores.
Manifesta-se o nosso grande chanceler do Hospital contrário às perseguições: é quanto basta para levar a tacha de ateu. Homo doctus, sed verus atheos. Um jesuíta que se acha tão abaixo de Aristófanes quanto Aristófanes o está de Homero, um miserável cujo nome se tornou ridículo entre os próprios fanáticos, em uma palavra, o jesuíta Garasse, em toda gente vê ateístas. É assim que chama a todos aqueles contra quem investe. De ateísta acoima ele Teodoro de Besis. Foi ele quem induziu em erro a respeito de Vanini.
O desgraçado fim de Vanini não nos move a indignação nem a piedade como o de Sócrates porque Vanini não passava de um pedante estrangeiro sem mérito nenhum. Mas a verdade é que não era ateu, como se pensava. Muito pelo contrário
Tratava-se de um pobre padre napolitano, pregador e teólogo de seu mister, polemista apaixonado das qüididades e dos universais, et utrum chimera bombinans in vacuo possit comedere secundas intentiones. Não tinha, porém, a veia do ateísmo. Sua noção de Deus era da mais sã e acatada teologia. “Deus é o princípio e o fim, pai de um e de outro, prescindindo de um
e de outro. Eterno sem estar no tempo. Onipresente sem se achar em parte alguma. Não tem passado nem futuro. Está em tudo e fora de tudo, tudo governando, tudo havendo criado — Imutável, infinito, imparticular. Seu poder é sua vontade, etc.”
Vangloriava-se Vanini de renovar este belo conceito de Platão abraçado por Averrois: que Deus criou uma cadeia graduada de seres cujo último anel se ata ao seu trono eterno. Idéia em verdade mais sublime que veraz, mas tão distante do ateísmo quanto o ser do não ser.
Viajou com o fito em dinheiro e polêmicas — infelizmente, porém, a senda da disputa conduz a polo contrário ao da riqueza. Granjeiam-se tantos inimigos irreconciliáveis quantos os sábios ou pedantes com quem se terça a palavra. Nem foi outra a origem da desdita de Vanini — Custaram- lhe seu calor e grosseria na discussão o ódio de não poucos teólogos, um dos quais — Francon ou Franconi, amigo de seus inimigos — o acusou de ateu e de pregar o ateísmo.
Teve esse Francon ou Franconi, esteado por algumas testemunhas, a barbárie de sustentar na acareação o que tivera o descaramento de falsear. Interrogado no banco dos réus acerca do que pensava de Deus, respondeu Vanini adorar com a igreja um Deus em três pessoas. Tomando uma
palha do chão: “Basta isto” — disse “para provar que existe um criador”. Pronunciou então magnífico discurso sobre a vegetação e o movimento e sobre a necessidade de um Ser Supremo, sem o qual não existiria nem movimento nem vegetação.
O presidente Grammont, que então se achava em Tolosa, transcreve esse discurso na sua Histoire de France, hoje tão esquecida. Por inconceptível prejuízo pretende o mesmo Grammont que Vanini dissesse tudo isso mais por vaidade ou medo que por persuasão interior
A que arrimar o julgamento temerário e atroz do presidente Grammont? Patente é que a resposta de Vanini o absolvia da criminação de ateísmo. Que sucedeu, porém! Esse caipora abeberara-se também de medicina. Encontraram em sua casa um sapo que ele conservava vivo em um vaso com água: foi a conta para ser tachado de feiticeiro. Disseram que o sapo era o seu deus. Emprestaram sentido ímpio a diversos passos de seus livros — o que é facílimo e muito comum — tomando objeções por respostas, interpretando com malícia uma ou outra frase equívoca, envenenando expressões inocentes. Por fim a facção que o perseguia extorquiu dos juizes a sentença que o condenou à morte.
Para justificar tal crime, havia-se mister fazer pesarem sobre esse infeliz as calúnias mais medonhas. O menor e muito menor Mersenne levou a demência a ponto de imprimir que Vanini partira de Nápoles com doze apóstolos para converter o mundo ao ateísmo. Santa ingenuidade. Como poderia ter um pobre padre doze homens a seu dispor? Como poderia convencer doze napolitanos a viajarem dispendiosamente para propagar aos quatro ventos uma doutrina abominável e revoltante — com risco de vida? Seria um rei bastante poderoso para pagar doze pregadores de ateísmo? Ninguém, antes de Mersenne, aventurara semelhante absurdo. Depois dele, porém, toda gente se pôs a estribilhá-lo, com ele envenenando jornais e dicionários históricos — E o mundo, que gosta do extraordinário, aceitou à carga cerrada essa fábula.
O próprio Bayle, nas suas Pensées Diverses, fala de Vanini como de um ateu — Serve-se desse exemplo para estribar seu paradoxo de poder subsistir uma sociedade de ateus; afirma que Vanini era um homem de costumes rigorosamente regrados, e ter sido o mártir de sua opinião filosófica. Engana-se tanto num ponto como noutro. Depreende-se dos Dialogues de Vanini, escritos à imitação de Erasmo, ter ele tido uma amante de nome Isabelle. Era livre no escrever como no viver. Porém não ateu.
Um século após sua morte o sábio La Croze e aquele que adotou o nome de Philalèthe(9) empreenderam justificá-lo. Mas como ninguém se interessa pela memória de um infeliz napolitano, que para agravo de seus pecados era péssimo escritor, passaram quase despercebidas essas apologias.
O jesuíta Hardouin, mais culto que Garasse e não menos temerário, denuncia como ateus no livro Athei Detecti os Descartes, Arnauld, Pascal, Nicole e Malebranche. Que, porém, felizmente não tiveram a mesma sorte que Vanini.
Mas voltemos à questão de moral aventada por Bayle: se seria possível uma sociedade de ateus. Sublinhemos à primeira ser grande a contradição em torno do problema. Os que mais indignadamente se levantaram contra a opinião de Bayle, os que com maior carga de injúrias lhe desmentiram a possibilidade de uma sociedade de ateus, com o mesmo aferro sustentaram mais tarde ser o ateísmo a religião do governo da China.
Positivamente enganaram-se no que respeita ao governo chinês. Se houvessem lido os éditos desse vasto país teriam visto não serem outra coisa senão sermões, sermões repletos de referências ao Ser Supremo, guia, vingador e premiador.
Não se enganaram menos quanto à impossibilidade de uma sociedade atéia. E não sei como pôde o sr. Bayle esquecer um exemplo conclusivo que talvez valesse a vitória a sua causa.
Por que impossível uma sociedade atéia? Porque sem um freio os homens não poderiam viver em harmonia? Por nada poderem as leis contra os crimes secretos? Por ser preciso um Deus vingador que puna, neste ou em outro mundo, os malfeitores escapos à justiça humana!
Ilusão. Os judeus, muito embora não ensinassem as leis de Moisés nenhuma vida por vir, não ameaçassem castigos depois da morte, não ensinassem aos primeiros judeus a imortalidade da alma, os judeus, longe de ser ateus, longe de contar subtrair-se à vingança divina, foram os mais religiosos dos homens. Não somente criam na existência de um Deus eterno, como o acreditavam constantemente em sua presença. Temiam ser castigados na pessoa de si mesmos, da mulher, dos filhos, na posteridade, até a quarta geração. E esse freio era poderosíssimo.
Entre os gentios, porém, muitas seitas houve desempeçadas de quaisquer ferropéias. Os cépticos duvidavam de tudo — De tudo inopinavam os acadêmicos. Estavam persuadidos
os epicuristas de que a divindade não metia a colher torta nos negócios dos homens, e em verdade não admitiam deuses de espécie alguma. Abrigavam a convicção de não ser a alma de natureza substancial, mas rasamente uma faculdade que nasce e morre com o corpo. Não tinham, por conseguinte, outras rédeas além da moral e da honra. Verdadeiros ateus eram os senadores e cavaleiros romanos. Para quem não os temem e deles nada esperam os deuses não existem — Era pois o senado romano um congresso de ateus contemporâneos de César e Cícero.
Na oração pró Cluêncio diz o grande orador ao senado reunido: “Que mal lhe pode trazer a morte? Nós impugnamos todas as fábulas ineptas dos infernos. Que então lhe tirou a morte? Nada mais que a sensação da dor”.
Querendo salvar a vida de seu amigo Catilina perante o mesmo Cícero, não lhe objeta César que condenar à morte não é punir, que a morte não é nada, senão apenas o fim dos sofrimentos, momento mais feliz do que fatal? E não reconheceram Cícero e todo o senado a justeza de tais razões? Não há negá-lo. Vencedores e legisladores do mundo conhecido formavam uma sociedade de homens destemerosos dos deuses — verdadeiros ateus, portanto.
Pondera Bayle a seguir se não é a idolatria mais perigosa que o ateísmo, se crime maior não será nutrir sobre a divindade conceitos indignos que dela descrer. E opina com Plutarco ser preferível não ter de Deus concepção nenhuma a tê-la má — Em que pese a Plutarco, porém, inegável é ter sido infinitamente preferível para os gregos temer Ceres, Netuno, Júpiter, a não temer coisa alguma. Irrecusavelmente é necessária a santidade dos juramentos, e antes fiar-se em quem creia que um falso juramento será punido do que em quem pense poder jurar falso impunemente. Não há dúvida ser preferível, em uma cidade policiada, ter uma religião ainda que má a não ter nenhuma.
Parece-me que Bayle devia antes examinar qual o mais nocivo, se o fanatismo, se o ateísmo. O fanatismo é certamente mil vezes mais funesto, porquanto o ateísmo não inspira, como ele, paixão sanguinária. O ateísmo não se opõe ao crime: o fanatismo o atiça. Suponhamos com o autor do Commentarium Rerum Gallicarum fosse ateu o chanceler do Hospital. Não elaborou ele senão leis sábias, não aconselhou senão moderação e concórdia: os fanáticos cometeram as mortandades de São Bartolomeu. Havia-se Hobbes por ateu: entanto viveu tranqüila e inocentemente. Os fanáticos de seu tempo ensanguentaram a Inglaterra, Escócia e Irlanda. Spinoza, sobre ser ateu, ensinava o ateísmo:
parece contudo não ter sido ele quem participou do assassínio jurídico de Barneveldt, quem fez em traçalhos os irmãos de Witt e os comeu à grelha.
O mais das vezes são os ateus sábios audazes e tresmalhados que raciocinam mal e que, não compreendendo a criação, a origem do mal e outras dificuldades, recorrem à hipótese da eternidade das coisas e da necessidade.
Aos ambiciosos, aos voluptuosos, falta-lhes tempo para raciocinar e abraçar maus sistemas. Têm mais que fazer que comparar Lucrécio com Sócrates.
É o que sucede conosco.
O mesmo não se dava com o senado romano, composto na quase totalidade de ateus que ateus eram teórica e praticamente. Isto é: que não acreditavam nem na Providência nem na vida futura. Era uma congregação de filósofos, de voluptuosos e ambiciosos, todos nocentissimos e que perderam a república.
Não me agradaria o depender de um príncipe ateu cujo interesse fosse mandar-me pilar num morteiro. Não quereria, se fosse soberano, ter de tratar com cortesãos ateus cujo interesse fosse envenenar-me: ser-me-ia necessário estar tomando ao acaso contravenenos todos os dias. É pois absolutamente imprescindível aos príncipes
e aos povos o estar profundamente gravada nos espíritos a idéia de um Ser Supremo, criador, condutor, remunerador e vingador.
Há povos ateus, assevera Bayle em suas Pensées sur les Comètes. Os cafres, hotentotes, tupinambás e muitas outras pequenas nações não têm Deus. É possível. Mas isso não quer dizer que neguem Deus não o negam nem o afirmam, porque nunca ouviram falar em tal. Dizei-lhes que Deus existe, e cre-lo-ão facilmente. Dizei-lhes que tudo se faz pela natureza das coisas, e cre-lo-âo da mesma forma — Pretender que sejam ateus é o mesmo que pretender que sejam anticartesistas: não são nem contra nem a favor de Descartes. São verdadeiras crianças. Uma criança não é atéia nem teista: não é nada.
Que concluir de tudo isso? Que o ateísmo é um monstro perniciosíssimo para os que governam, e igualmente para os estadistas em disposição, ainda que cidadãos inocentes, pois podem um dia ou outro ser elevados à boléia do poder. Que, se não é tão funesto como o fanatismo, é quase sempre fatal à virtude. Ajuntemos principalmente que hoje em dia há menos ateus que nunca, depois que os filósofos reconheceram não haver nenhum ser vegetante sem germe, nenhum germe sem desígnio etc., e que o trigo não nasce da podridão.
Geômetras não filosóficos enjeitaram as causas finais, porém os verdadeiros filósofos as admitem. E, como disse um autor conhecido, o catequista anuncia Deus às crianças e Newton o demonstra aos sábios.
Dicionário Filosófico (1764)* Voltaire (1694-1778)
Edição Ridendo Castigat Mores
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