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sábado, 9 de maio de 2015
Notícia - A gravura pré-histórica mais antiga da América está em Belo Horizonte
Arqueólogos brasileiros descobriram a gravura mais antiga do novo mundo: um corpo antropomórfico esguio, com uma idade compreendida entre os 9500 e 10.400 anos. A figura terá sido feita por grupos de caçadores recolectores que viviam na região e poderá ser uma manifestação simbólica ligada à fertilidade. O estudo foi publicado nesta quarta-feira na revista Public Library of Science.
“Há pinturas tão antigas como esta gravura, mas esta deve ser das representações artísticas mais antigas do continente”, disse Walter Neves, da Universidade de São Paulo, no Brasil. Ao contrário das pinturas, que têm pigmentos orgânicos facilmente datáveis, as gravuras esculpidas na pedra são muito mais difíceis de datar. Mas a equipa do arqueólogo teve sorte com o achado.
“Descobrimos no fundo de um sítio arqueológico que escavámos há nove anos na Lapa do Santo”, disse o arqueólogo ao PÚBLICO. O local fica a 60 quilómetros a Norte da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no Brasil e é um importante ponto arqueológico na América do Sul. A figura está a quatro metros de profundidade e foi descoberta em 2009, no final de uma escavação arqueológica que se iniciou em 2002.
“No caso da pintura rupestre você pode datar os pigmentos da pintura, no caso do petroglífo, que foi esculpido na pedra, não tem matéria orgânica para datar”, disse o cientista. Mas acima da gravura, existiam os restos arqueológicos de uma fogueira que datam de há 9500 anos. Como o local está ocupado desde há 10.400 anos, “a gravura tem entre 9500 e 10.400 anos”.
O desenho foi feito por caçadores recolectores (grupos nómadas). Seriam grupos pequenos de 25 a 30 pessoas que tinham uma capacidade grande para se movimentarem pela região para conseguir caçar e recolher alimentos.
“Na América do Norte especializaram-se em caçar a megafauna já extinta, como mamutes, bisontes ou o cavalo pré-histórico. Na América do Sul estes grupos caçavam a fauna que existe hoje e tem um porte médio”, disse o especialista, acrescentando desconhecer-se a razão desta opção, já que também existiam ali os grandes mamíferos que serviam de alimento para os grupos da América do Norte.
Quanto à pintura, Walter Neves defende que é “uma manifestação simbólica ligada à questão da fertilidade”. O desenho representa “um antropomorfo, filiforme, com uma cabeça em forma de C, os braços e as pernas terminam em três dígitos, e tem um falo grande e erecto”.
Não é a primeira vez que se descobre este tipo de iconografia. Noutras regiões da América, conhecem-se figuras semelhantes que representam mulheres grávidas e cenas de parto. Provavelmente “esta é uma figura que deve fazer parte de um painel maior”. Entretanto, em 2011, a equipa voltou ao sítio arqueológico para tentar descobrir outras figuras.
Segundo Walter Neves, esta descoberta também põe em perspectiva a colonização da América feita pelo Homo sapiens vindo da Sibéria. A nível arqueológico, a chegada ao continente está intimamente ligada aos achados da cultura Clovis: sítios arqueológicos em diversos locais da América do Norte onde se encontraram vestígios de pontas para a caça.
“Nós estamos mostrando que no final do pleistoceno já havia uma grande diversidade de pensamento simbólico na América do Sul. Essa grande diversidade seria impossível de surgir em pouco tempo, e isso sugere que o homem deve ter entrado na América há mais de 11.200 anos, que é a datação para a cultura Clovis”, explicou o cientista. “Eu diria que a questão mais importante [da arqueologia americana] é conseguir sítios arqueológicos com datações pré-Clovis.”
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Notícia - Supercontinente Amásia deverá formar-se junto ao Pólo Norte
A Terra terá um novo supercontinente dentro de 50 a 200 milhões de anos. Amásia resultará da junção da América e da Ásia junto ao oceano árctico, estimam geólogos da Universidade de Yale num artigo publicado nesta quinta-feira na revista Nature.
Os actuais continentes do planeta serão empurrados para uma massa de terra única, em redor do Pólo Norte, escrevem os investigadores, que propõem um modelo dos movimentos lentos dos continentes nas próximas dezenas de milhar de anos.
“Primeiro deverão fundir-se as Américas e depois irão migrar para Norte, colidindo com a Europa e a Ásia, mais ou menos onde hoje existe o Pólo Norte”, disse Ross N. Mitchell, geólogo da Universidade de Yale e principal autor do estudo, na revista Nature. “A Austrália deverá continuar a mover-se para Norte e fixar-se perto da Índia” e o oceano Árctico e o Mar das Caraíbas desaparecerão, dentro de 50 a 200 milhões de anos.
A última vez que a Terra assistiu ao nascimento de um supercontinente foi há 300 milhões de anos, quando todas as massas terrestres se fundiram no equador, dando origem à Pangeia, situada onde hoje está a África ocidental.
Depois de estudar a geologia das cadeias montanhosas em todo o mundo, os geólogos têm assumido que o próximo supercontinente se irá formar no mesmo local da Pangeia. Mas Ross N. Mitchell, geólogo da Universidade de Yale, e os seus colegas têm uma ideia diferente: a Amásia deverá formar-se no Árctico, a 90 graus do centro geográfico do supercontinente anterior, a Pangeia.
Os geólogos chegaram a esta conclusão depois de analisar o magnetismo de rochas antigas para determinar as suas localizações no globo terrestre ao longo do tempo. Além disso mediram como a camada directamente abaixo da crosta terrestre, o manto, move os continentes que “flutuam” à sua superfície.
“A forma como os continentes se movem tem implicações para a biologia – por exemplo, pode afectar os padrões da dispersão das espécies – e para as dinâmicas no interior da Terra”, disse um dos autores do estudo, Taylor M. Kilian, da Universidade de Yale, em comunicado no site desta instituição.
“Compreender a disposição das massas dos continentes é fundamental para compreendermos a história da Terra”, disse Peter Cawood, geólogo na universidade britânica de St Andrews, citado pela revista Nature. “As rochas são a nossa janela para a história.”
O geólogo David Rothery da Universidade Aberta, em Milton Keynes, no Sul da Inglaterra, disse à BBC que não está preocupado com o choque de continentes. “Podemos compreender melhor o Ambiente da Terra no passado se soubermos exactamente onde estavam os continentes”, disse. “Não me interessa se os continentes vão convergir no Pólo Norte ou se a Inglaterra vai colidir com a América num futuro longínquo. Prever o futuro tem muito menos importância do que saber o que aconteceu no passado.”
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Notícia - A serra dos mortos - Megalitismo na Aboboreira
As grandes pedras que serviram para honrar os defuntos no passado remoto permitem-nos hoje conhecer melhor o homem pré-histórico. O Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira é uma das maiores necrópoles megalíticas do país e fala-nos sobre a sociedade dos seus construtores.
Perdida entre as vertentes agrestes do Marão e os vales dos rios Tâmega e Douro encontra-se a serra da Aboboreira. Com as suas modestas dimensões, que não vão além de 15 quilómetros de extensão, cerca de 7 km de largura e apenas 971 metros de altitude, está longe de rivalizar com as grandes serras que caracterizam o relevo montanhoso do Norte de Portugal.
Não se destacando pelo tamanho ou tão pouco pela sua riqueza e diversidade naturais, que são todavia dignas de registo, este acanhado terreno acidentado, perdido nos confins do distrito do Porto, ganhou notoriedade pelo seu magnífico património arqueológico: uma extensa necrópole megalítica, das maiores que se conhecem em Portugal. São mais de quarenta túmulos (onde se incluem mamoas, antas e dólmenes), identificados, intervencionados e estudados desde 1978.
O Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira (CASA), projecto de investigação, divulgação e valorização do património arqueológico, herdou o seu nome do maciço granítico onde se iniciaram os trabalhos de prospecção, mas, na verdade, estende-se actualmente por uma vasta área que extravasa os limites físicos da Aboboreira e se espalha pelas cumeadas da região até à contígua serra do Castelo. Este, que é um dos mais interessantes arqueosítios portugueses e peninsulares, possui uma invejável colecção de monumentos megalíticos funerários de diferentes épocas, desde o Neolítico (cerca de 4500 a.C.) até à Idade do Bronze (por volta de 1900 a.C.).
De modo a assegurar a adequada compreensão dos diferentes tipos de monumentos funerários e a sua evolução ao longo dos tempos, o Núcleo de Arqueologia do Museu Municipal de Baião expõe algum do espólio recolhido nas inúmeras campanhas de escavação arqueológica e exibe uma maqueta didáctica, onde 120 figurinhas humanas ilustram as diferentes fases de construção de uma anta (câmara funerária delimitada por uma série de grandes pedras fincadas verticalmente no solo e coberta por uma laje que serve de tampa) e da respectiva mamoa (montículo artificial de terra e/ou pedras que oculta a anta). Uma vez que as mamoas formam geralmente pequenas elevações com a sugestiva forma de mamilo, são também conhecidas popularmente como “mamoelas”, “mamoinhas”, “mamelas”, “mamorras” e “maminhas”.
Construtores habilidosos
Percorrendo a maqueta, os visitantes menos letrados em investigação arqueológica e nos assuntos da pré-história podem inteirar-se das técnicas usadas pelo homem da Idade da Pedra. Torna-se assim mais fácil perceber como foi possível que apenas com a força humana se conseguisse fazer a extracção, o talhe e o transporte de descomunais blocos graníticos, alguns com várias toneladas, utilizados na construção dos megálitos (assim denominados por serem construções com pedras de grandes dimensões).
Acredita-se que as chãs planálticas (amplas superfícies aplanadas) da serra da Aboboreira, actualmente inóspitas e despidas de gente, tenham servido de lar, nos tempos pré-históricos, a um número médio de 140 habitantes por geração. A estimativa, da autoria da arqueóloga Carla Stockler, resultou da aplicação de fórmulas que permitiram calcular a quantidade de indivíduos implicados na construção de cada um dos quarenta monumentos megalíticos disseminados pela região ao longo de sucessivas gerações. Os seus cálculos apontam para que tenham vivido nesta área geográfica, durante dois milénios, aproximadamente 11.200 indivíduos. Durante esse período, a que terão correspondido cerca de oitenta gerações, construiu-se aqui, a um ritmo impressionante de um monumento por cada duas gerações, uma das maiores e mais importantes necrópoles megalíticas do país.
Todavia, o número de pessoas envolvidas em tais construções tumulares ainda está longe de ser consensual entre os especialistas, que baseiam os seus cálculos e as suas inferências em diferentes índices. A título de exemplo, refira-se, relativamente ao número mínimo de horas de trabalho necessárias para a edificação de um tumulus (designação que corresponde à mamoa), que alguns investigadores usam o índice de 0,3 metros cúbicos de construção por homem e por hora, enquanto outros sugerem 1,67 m3, o que implica forçosamente discrepâncias acentuadas entre os diversos arqueólogos.
Nos megálitos de maiores dimensões, acredita-se que terá sido necessário um esforço coordenado e simultâneo de muitas dezenas de pessoas para transportar e erguer os enormes blocos graníticos que lhes dão forma. No entanto, os arqueólogos também não se entendem no que se refere às pessoas necessárias para deslocar as grandes pedras erguidas em honra dos mortos. Neste caso, as diferenças de opinião parecem advir das técnicas distintas que poderão ter sido usadas pelos edificadores dos monumentos, o que obviamente tem implicações na avaliação do esforço construtivo.
Desde logo, podem antever-se três cenários possíveis para o deslocamento das pedras gigantes: poderão ter sido arrastadas directamente sobre o solo, puxadas sobre “rolos” (troncos) de madeira ou transportadas através de alavancas. No arrasto sem “rolos”, estima-se que seriam necessários 16 homens por cada tonelada de pedra. Se o transporte se fizesse sobre rolos de madeira, esse valor já desceria para apenas seis homens por tonelada. E, se fossem usadas alavancas, alguns estudos provaram que seria possível mover as grandes pedras com apenas duas pessoas por tonelada.
Não havendo certezas absolutas sobre as técnicas usadas na construção dos vários monumentos, vale a pena confrontar os estudos do arqueólogo Vítor Oliveira Jorge (pioneiro na arqueologia social dos sepulcros da serra da Aboboreira), onde as alavancas não foram consideradas, com os do arqueólogo Joel Cleto, do CASA, defensor do uso de alavancas pelos construtores de alguns daqueles megálitos. Considerando o transporte de um esteio (bloco granítico que serve para escorar a enorme pedra de cobertura de uma anta) com 6,24 toneladas, pertencente ao monumento Outeiro de Ante 1, verifica-se que teriam sido necessários cem homens para o arrastar sem rolos de madeira, 36 com o auxílio de “rolos” e apenas 13 se fossem usadas alavancas. Assim, Oliveira Jorge estimou que aos cem homens adultos necessários para o arrastamento do esteio corresponderia uma população global de 450 pessoas, e aos 36 adultos que usavam os “rolos” uma população de 162 indivíduos. Joel Cleto, por seu lado, considera que 56 habitantes seriam suficientes para obter 13 construtores com perícia suficiente para usar as alavancas.
Muito provavelmente, nunca saberemos com absoluta certeza qual a técnica de construção que foi utilizada, havendo até uma grande probabilidade de que tenham sido usadas várias em simultâneo. Contudo, não deixa de ser curiosa a possibilidade de terem sido usadas alavancas. A ser assim, muito antes de Arquimedes (287–212 a.C.) ter enunciado o princípio da alavanca (através da famosa expressão que lhe é atribuída: “dai-me uma alavanca e um ponto de apoio adequado e eu moverei a Terra”), já o homem pré-histórico, sem o saber, aplicava o seu postulado. Afinal, “a habilidade e a inteligência, mais do que a força por si só, terão sido factores fundamentais para mover grandes pesos”, considera Joel Cleto.
O passado remoto “antes da História”, do qual nos chegam apenas alguns indícios soltos que frequentemente não passam de arabescos, continua ofuscado pelo nevoeiro do tempo, apesar dos avanços tecnológicos a que temos assistido nas últimas décadas. No entanto, divergências à parte, todos os arqueólogos partilham a mesma certeza de que estes estudos são muito importantes porque contribuem para uma aproximação hipotética à demografia e à sociedade dos construtores dos megálitos.
Ocupação pré-histórica
É quase certo que nessas épocas remotas o clima era mais ameno e que as chãs da Aboboreira, localizadas a cerca de mil metros de altitude, tivessem condições propícias ao maneio agrícola (considerado um aspecto crucial para a coesão social e para a entreajuda na construção dos megálitos funerários), à exploração dos recursos cinegéticos e à pastorícia. Só assim se compreende a ocupação pré-histórica da serra, cujos primeiros indícios datam de há aproximadamente 7000 anos.
Alguns estudos de paleobotânica (análise de carvões vegetais, frutos, sementes, grãos e pólen) permitiram ainda confirmar que a melhoria climática que se verificou com o fim da última glaciação, há cerca de dez mil anos, poderá ter contribuindo para uma crescente arborização das partes mais altas da serra. Assim, espécies que na actualidade se encontram acantonadas abaixo dos 700 metros (carvalho alvarinho, castanheiro, vidoeiro e aveleira, entre outras) seriam aí relativamente abundantes, fornecendo alimento e lenha e contribuindo para enriquecer a biodiversidade local.
Os vestígios habitacionais das populações que começaram a fixar-se na Aboboreira por volta do quinto milénio a.C. são muito escassos, deixando adivinhar povoados limitados, sem preocupações de defesa, instalados em terrenos húmidos e, a avaliar pelas numerosas partículas de carvão vegetal encontradas sob o solo de algumas mamoas, que utilizariam o fogo para possivelmente abrir clareiras na densa floresta. Embora pouco se saiba do modo como viveram esses povos primitivos, conhece-se relativamente bem a forma como adoraram os seus mortos. Geração após geração, os monumentos funerários foram-se amontoando, tendo sempre como referência as construções megalíticas que os precederam. A proximidade entre as sucessivas inumações parece denotar um grande significado simbólico e ritual atribuído a alguns lugares.
Arquitectura funerária
Por volta do quinto milénio, começaram a construir monumentos sepulcrais de câmaras pequenas e cobertas por montículos de terra (mamoas) de reduzidas dimensões: inferiores a um metro de altura e com menos de dez metros de diâmetro. No decurso do quarto milénio, as tumbas atingiram uma maior monumentalização e destaque na paisagem, com dimensões que ascendiam a 1,5 m de altura e a mais de 15 m de diâmetro. Neste período áureo do megalitismo na serra da Aboboreira, em que foram erguidos os grandes dólmenes, como Chã de Parada (monumento nacional) e Chã do Outeiro de Ante, os sepulcros tornaram-se verdadeiramente colectivos, deixando antever um maior número de indivíduos enterrados e permitindo um enterramento e um ritual mais prolongado no tempo. Os despojos encontrados nesses dólmenes são relativamente escassos e pobres, resumindo-se a micrólitos geométricos, pontas de seta de base triangular e com aletas, de sílex e quartzo hialino, lâminas e lamelas, contas de colar em xisto e variscite e raros fragmentos de vasos lisos. Os objectos votivos, construídos com intentos exclusivamente funerários, resumem-se a enxós, seixos rolados e machados.
Na Idade do Bronze, ter-se-ão reutilizado os antigos sepulcros e ter-se-á edificado, por volta de 2400 a.C., a mamoa de Chã de Carvalhal. Esta correspondeu a uma viragem no ritual funerário, que passou a fazer-se de modo individual. O defunto fazia-se acompanhar de armas em cobre (punhais e pontas de lança de tipo Palmela) e vasos cerâmicos. Seguindo esta tipologia de construção, contrária à visibilidade e monumentalidade que caracterizaram as mamoas megalíticas de épocas anteriores, regista-se ainda, mais recentemente (cerca de 1400 a.C.), a edificação do monumento de Outeiro de Gregos.
No limiar da Idade do Bronze, assiste-se a uma hierarquização e uma diferenciação social, que se evidencia nas próprias tumulações. Como lembra a arqueóloga Carla Stockler, “a partir de agora, são introduzidos no espólio funerário produtos de prestígio, como a cerâmica campaniforme e as armas metálicas, objectos mais individualizadores de uma primeira elite, cuja importância era publicamente manifesta pela posse e uso destes produtos, difíceis de obter ou dispendiosos”.
Janelas para o passado
Aquilo que para o homem comum não passa de um monte de pedras, apelidadas usualmente de antas, dólmenes ou antelas, mas que o folclore nacional também conhece como “arcas”, “arquinhas”, “palas”, “orcas”, “mamoas”, “mamoncelos” ou “pedras dos mouros”, revela-se aos olhos experimentados dos arqueólogos como magníficas janelas para o passado. Se durante décadas esses blocos de pedra pouco ou nada trabalhadas apenas revelavam segredos sobre o culto dos mortos, desde há alguns anos que se têm mostrado igualmente úteis na compreensão do mundo dos vivos, nomeadamente da vida social pré-histórica.
Embora o dia-a-dia dessas sociedades primitivas fosse muito diferente do que acontece actualmente nas sociedades modernas do século XXI, é fascinante pensar que as pessoas (os construtores habilidosos dos monumentos megalíticos) eram anatomicamente iguais a nós. Se fosse possível pegar numa das suas crianças recém-nascidas e criá-la na nossa casa, ela seria indistinguível dos nossos filhos. Por incrível que pareça, falaria como nós, viveria agarrada ao telemóvel e à internet, usaria com mestria as novas tecnologias da informação e comunicação, viajaria de avião e sonharia ser médico, cientista ou futebolista. É que, no Neolítico, quando começaram a construir-se os monumentos megalíticos na Aboboreira, já o Homo sapiens sapiens tinha desenvolvido todas as características que nos fazem o que somos hoje. Os milénios que nos separam não acrescentaram nada de novo à nossa anatomia ou fisiologia, tendo servido apenas para consideráveis avanços culturais, tecnológicos e científicos.
No planalto da Aboboreira, as antas, os dólmenes e as mamoas confundem-se com o caos de blocos e com os afloramentos naturais da paisagem granítica. Não se sabe bem se terá sido esse cenário oferecido aos olhos contemplativos do homem primitivo que o inspirou a ritualizar a paisagem e a implantar aqui os seus monumentos funerários. Mas uma coisa é certa, as nossas raízes mais distantes parecem revelar-se em lugares mágicos como a Aboboreira, uma verdadeira serra dos mortos.
J.N.
SUPER 152
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Notícia - Especialista diz que sismos são normais
De acordo com uma especialista em Sismologia da Universidade do Algarve, as actividades sísmicas que se têm verificado são algo “perfeitamente normal” e não passa de “uma coincidência” ter havido tão grande número sucessivo de abalos.
Maria da Conceição Neves explica que “mais de 90 por cento da actividade sísmica situa-se ao longo das cristas oceânicas onde não há estragos” e que as zonas onde as placas tectónicas convergem estão “sempre” a ser atingidas.
De acordo com a Lusa, a especialista não acredita que agora haja mais abalos sísmicos do que antes. A diferença, no seu entender, é que existem mais meios de comunicação, o que contribuiu para que estes fenómenos naturais sejam mais comentados.
“Não há motivo para alarme”, assegurou Maria da Conceição Neves que afirma não haver uma explicação cientifica para justificar a ocorrência dos sismos nos últimos meses que têm causado a morte de milhares de pessoas e a destruição de inúmeras cidades.
P.M.C.
terça-feira, 5 de maio de 2015
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