Espaço de ajuda aos alunos nas várias disciplinas desde a Educação de Infância até ao Ensino Secundário
sábado, 8 de outubro de 2016
Notícia - Alda foi com o filho para o politécnico
Alda Serrazina partilha um quarto com o filho numa residência do Politécnico de Leiria. “Muita gente pergunta: ‘O teu filho vai estudar para quê?’ Eu pergunto: ‘Ele vai ficar em casa para quê? Ficamos os dois maluquinhos!’ Ele quis vir. Eu disse: ‘Quer ir, vai.’ O meu marido ainda perguntou: ‘Vai como?’ Eu respondi: ‘Vai como os outros!’ Eu estou cá para o ajudar. Não quero que um dia ele diga: ‘A minha mãe não me deu oportunidade de seguir o que eu queria.’”
Márcio é filho único. Há 14 anos, seguia com a mãe e o padrasto na estrada, houve um acidente. Era um menino. Ainda nem completara 11 anos. “O médico disse: ‘O seu filho está muito mal.’ Eu só pedia a Deus que não o levasse. Tinha ele dois aninhos, fiquei sem o pai dele num acidente.”
Perdeu a voz. Ficou tetraplégico. “Ele reagiu mal. Era um menino tão bem disposto. Falava muito. Tudo. Tentei dar-lhe força. Disse-lhe que não era o único, que a vida dele havia de seguir em frente, que eu estava cá para o ajudar.” Esteve cinco meses no Centro Hospitalar de Coimbra e um ano e meio no Centro de Reabilitação de Alcoitão. Recuperou alguns movimentos.
Findo o secundário, Márcio quis ir para o superior. E lá vieram as perguntas: 'Vais massacrá-lo para quê?’ Têm a ideia que estas pessoas [com deficiência] não precisam de se esforçar. Ele tem de se fazer à vida! De maneira diferente, mas tem.”
Antes de o filho regressar à Benedita, em Alcobaça, Alda mandou alargar as portas da casa, pôr uma rampa no jardim, despediu-se da fábrica. Ele não podia estar sozinho. E tinha de continuar os tratamentos. Matriculou-o na escola. “A dificuldade que elas lá tinham! Propus desempenhar o papel de tarefeira. Estava por ali. Dava-lhe as refeições, levava-o a casa de banho.” Fizeram-lhe um contrato de trabalho.
Quando Márcio entrou no 7.º ano, mudou de escola. Alda ainda conseguiu trabalhar lá um ano. O programa do centro de emprego, através do qual fora colocada, não se pode repetir. Continuou, como voluntária. “Os professores sempre o ajudaram. Eu sempre a dar força.” Findo o secundário, o filho quis ir para o superior. E lá vieram as perguntas de vizinhos, de amigos, até de familiares: “'Vais pôr o teu filho a estudar para quê? Vais massacrá-lo para quê?’ Têm a ideia que estas pessoas [com deficiência] não precisam de se esforçar. Aqui ninguém é coitado nem coitadinho. Ele tem de se fazer à vida! De maneira diferente, mas tem.”
O rapaz, de 25 anos, já concluiu a licenciatura em Gestão. Começou agora o mestrado. Tem aulas à segunda, à terça e à quarta das 19h às 23h30. Ela leva-o e mantém-se perto. Senta-se no carro, costura, lê. Sai do carro, caminha um bocadinho. “Ele quer ir à casa de banho, dá-me um toque e eu vou.”
Márcio continua quase sem voz. No início, ninguém consegue ler-lhe os lábios, como a mãe dele faz. “É muito difícil a gente tentar perceber. Ainda hoje às vezes há coisas que eu não percebo. Ele troca-me as letras”, diz ela. Ele tem de escrever o que quer dizer. E a grande luta de Célia Sousa, do Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, é convencê-lo a usar software de voz, como o de Stephen Hawking. “Terá de ser, se quiser defender a tese.”
Informação retirada daqui
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Notícia - Investigadores acreditam que hiperactividade de zona do cérebro pode significar aumento do risco de Alzheimer
A hiperactividade no hipocampo, zona do cérebro com um papel crucial na memória, pode querer dizer que uma pessoa tem um risco acrescido de vir a sofrer de Alzheimer nas próximas décadas, sugerem cientistas britânicos. Os resultados da investigação foram publicados ontem na revista “Proceedings of the National Academy of Science”.A comunidade científica já tinha estabelecido a ligação entre o gene ApoE4 e a doença de Alzheimer. Agora, estes investigadores relacionaram este gene ao aumento da actividade no hipocampo em pessoas jovens, noticiou a BBC online.
Para a descoberta foram realizados testes a 36 voluntários - com idades entre os 20 e os 35 anos – a fim de comparar a actividade cerebral.
Os cientistas da Universidade de Oxford e do Imperial College London esperam que a sua descoberta possa simplificar os testes para identificar as pessoas com maiores riscos de desenvolver esta demência. Com uma identificação mais rápida seria possível começar um tratamento mesmo antes dos primeiros sintomas.
“Um simples teste poderia distinguir as pessoas que vão sofrer de Alzheimer”, comentou a investigadora que coordenou a investigação Clare Mackay, da Universidade de Oxford, citada pela BBC online.
No entanto, o neurocientista Peter Nestor, da Universidade de Cambridge, aconselha prudência. “As descobertas deste estudo são interessantes mas não devem ser consideradas prova irrefutável de que a doença de Alzheimer já se está a começar a desenvolver neste grupo de voluntários jovens e saudáveis”.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Notícia - Articulação com o ensino secundário é “um problema”
Quando um estudante com deficiência chega ao ensino superior, a instituição que o recebe tem pouca ou nenhuma informação sobre o seu passado. Os apoios que recebia ou o tipo de trabalho a que estava habituado são desconhecidos dos novos professores. A dificuldade de articulação entre as universidades ou politécnicos e as escolas secundárias é “um problema”, considera o coordenador-técnico do Gabinete para a Inclusão da Universidade do Minho, Carlos Barbosa, dificultando a integração destes alunos.
“Nenhuma instituição sabe que estudantes com necessidades especiais vai receber em cada ano”, constata a coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, Célia Sousa. Apesar de os alunos que entram através do contingente especial para estudantes com deficiência estarem identificados, há muitos outros que necessitam de apoio e entram pelo contingente geral. Esses são um grupo indiferenciado, que as instituições não têm como conhecer, a não ser que eles acabem por procurar a ajuda dos gabinetes de apoio.
Mesmo para trabalhar com os estudantes com deficiência que entram pelo contingente especial, os serviços especializados encontram dificuldades. A inexistência de mecanismos de comunicação impede a informação de chegar às universidades e politécnicos. Quando os alunos aparecem com os seus problemas específicos, “é preciso montar soluções no momento, quando podíamos estar a antecipar as coisas, se esta articulação existisse”, diz Célia Sousa.
“Não era difícil prever quais são os alunos do secundário que vão acabar por prosseguir estudos”, afirma a vice-reitora da Universidade dos Açores, Ana Teresa Alves. Defende que é necessário criar legislação específica para os apoios aos estudantes com deficiência no ensino superior.
O Decreto-Lei n.º 3/2008 define os apoios aos estudantes com necessidades educativas especiais na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário. No entanto, o diploma legal não se estende ao superior, que não tem um quadro formal de enquadramento dos apoios aos estudantes com deficiência.
Esta dificuldade é também detectada no diagnóstico sobre as pessoas com deficiência visual e auditiva publicado este ano por um grupo de investigadores da Universidade Aberta e da Fundação Calouste Gulbenkian. A falta de um normativo aplicável em específico ao ensino superior, diz o relatório, cria “na prática um certo 'vazio legal'” neste sector, o que leva universidades e politécnicos “a adoptar iniciativas avulsas, não concertadas entre si”.
Os gabinetes de apoios aos estudantes com deficiências têm-se generalizado no ensino superior público, mas persistem dificuldades nas respostas das instituições. O inquérito sobre os apoios concedidos aos estudantes com necessidades educativas especiais do ensino superior feito, há três anos, por Lília Aguardenteiro Pires, Ana Almeida Pinheiro e Valentina Oliveira, investigadoras da Universidade de Lisboa, revelou que metade das instituições de ensino superior não possuem um regulamento especial. Além disso, em 9% das universidade e politécnicos não é possível a realização de provas adaptadas nem são conferidas condições especiais para a realização de trabalhos ou provas de avaliação a estudantes com deficiência.
Ao nível das infra-estruturas o cenário encontrado é ainda pior do que ao nível dos apoios à aprendizagem, com cerca de metade das salas de aula, salas de estudo e laboratórios e não estarem preparados na totalidade para receberem estudantes com deficiência.
“Fazemos o melhor possível dentro das condições que temos”, diz Ana Teresa Alves. E lembra os cortes no financiamento público que as instituições sofreram nos últimos anos, que causaram problemas à sua gestão — a universidade que dirige está mesmo sob plano de recuperação financeira.
Informação retirada daqui
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
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