domingo, 18 de maio de 2008

“Sempre partiu objectos”



Os pais do aluno de 12 anos, com necessidades educativas especiais, que parte os óculos a professores, funcionários e colegas da Escola Básica Integrada de Pereira, em Montemor-o-Velho, disseram ontem que o filho "sempre partiu objectos". Primeiro eram pratos e agora foram "mais de cinco pares de óculos".


Para fazer face aos danos causados pelo filho, Eduardo Pinto e Ana Paula Pinto fizeram um seguro de responsabilidade civil que tem suportado os prejuízos.

"Ainda há pouco tempo foram pagos uns óculos a uma auxiliar", disse Ana Paula Pinto, adiantando que a seguradora não os pagou ao professor citado pelo CM por ter concluído que "houve desleixo da parte dele". Assegura que se disponibilizou para compensar o prejuízo, mas de forma faseada, o que "o professor recusou".

Por seu lado Eduardo Pinto defende que o número elevado de situações "denota algum desleixo de quem trabalha" com o filho e sublinhaque"deviamtermais cuidado porque sabem o que ele faz". Ana Paula Pinto acrescenta que a professora do ensino especial "usa óculos e ele nunca os partiu". "Os outros docentes é que estão mal preparados para trabalhar com estes miúdos."

O menino tem 12 anos, sofre de Síndrome de Noonan e tem por isso um nível de desenvolvimento correspondente ao de uma criança com metade da sua idade. Não sabe ler nem escrever, pesa vinte quilos e tem 1,20 metros. Os pais dizem que devido a este tipo de patologia "ele sempre partiu objectos". "Primeiro eram pratos. A escola enviava os cacos dentro da mochila dele para eu pagar", conta Ana Paula Pinto.

DETALHES

NINGUÉM ESCAPA

Antes o menor só partia os óculos dos professores, mas também já partiu os seus por duas vezes e os de uma colega.

MAIS UM SEGURO

O seguro escolar não cobre este tipo de danos, pelo que os pais do aluno viram-se forçados a contratar um seguro de responsabilidade civil, que têm accionado.

PEDIDA REUNIÃO

Os pais do aluno disseram ter pedido uma reunião à escola para tentar arranjar uma maneira de controlar a situação, mas não obtiveram resposta.

ESCOLA PAGOU

Numa ocasião em que o seguro dos pais do aluno estava caducado, foi a própria escola que pagou os danos causados nos óculos de uma auxiliar, mas garantiu que não voltaria a fazê-lo.

CM

sábado, 10 de maio de 2008

Alunos surdos são preocupação do Secretário Regional da Educação da Madeira

O secretário regional da Educação da Madeira, Francisco Fernandes, defendeu ontem a necessidade de encontrar "melhores soluções de integração social" para as cerca de 100 pessoas surdas, das quais 60 são crianças.

Francisco Fernandes falava no Funchal na abertura do seminário sobre “Educação de Surdos e o Biliguismo”, uma iniciativa da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos da Madeira (APADAM).

O governante madeirense destacou que a região tem sido “pioneira num conjunto de experiências e inovações", apontando que, por representar apenas 2,5 por cento da população do país, a Madeira é beneficiada pelo factor “oportunidade, pois há uma maior proximidade entre serviços públicos e utentes, mas este factor representa também um constrangimento por ter menos recursos financeiros e humanos”.

“Tal como noutras áreas, a legislação deve ser mais ambiciosa, deve motivar, deve provocar a mudança, deve permitir que se atinjam cada vez mais patamares de proximidade entre aquilo que é possível oferecer e o que a comunidade espera”, defendeu.

Para Francisco Fernandes, “por vezes a legislação é pouco realista quando se trata dos recursos e condições que ela própria impõe”.

Falando da "perspectiva regional", o responsável governamental apontou que a meta “é que dois a três jovens deficientes auditivos concluam o ensino secundário”.

Entre as medidas delineadas para apoiar os estudantes surdos, Francisco Fernandes anunciou que serão abertas no próximo ano lectivo mais quatro turmas integradas por alunos com dificuldades auditivas e ouvintes, sendo duas no pré-escolar e duas do primeiro ciclo.

Estas turmas “vão juntar cerca de quarenta alunos ouvintes e 30 surdos, se as famílias assim o entenderem, sendo o propósito fazer unir nestas turmas os irmãos, amigos e filhos de funcionários para aprofundar a proximidade que existia fora da escola”.

Referiu que está em vias de concretização um diploma regional que tem a ver com o regime jurídico da educação especial, que visa a criação de novas oportunidades entre os anseios da população e o que os serviços públicos podem proporcionar, de que é exemplo a nova metodologia em matéria de ocupação de tempos livres.

Por seu turno, Cristina Lacerda, vice-presidente da APADAM, uma professora de deficientes auditivos, ela também surda, falou das dificuldades destes alunos, apontando que “poucos estudantes surdos acabam o ensino secundário, menos entram no ensino superior e ainda menos o concluem”. A vice-presidente realçou também as suas próprias dificuldades enquanto aluna, considerando que “a maior parte das horas passadas na escola não serviram para nada e eram um esforço que só provocava revolta”, destacando a importância do apoio da família. Defendeu ser necessário “procurar uma melhor resposta para que os alunos surdos possam ter mais sucesso e um futuro melhor e mais digno”. “A língua gestual é a única língua que o surdo pode dominar plenamente e o bilinguismo é a melhor opção educacional para a criança surda, como comprovado por estudos científicos em todo mundo”, afirmou.